A História da AHSD (Altas Habilidades/Superdotação) na Bahia

Você sabia que a Bahia guarda memórias de um importante trabalho com a pesquisa e atendimento à Pessoa com Altas Habilidades Ou Superdotação-PAHS? História contada em X capítulos. Confira:

Para trazermos essa memória do importante trabalho que a Bahia desenvolveu, na década de 80, junto à pessoa com Altas Habilidades ou Superdotação-AHSD, visitamos os estudos apresentados na dissertação de Mestrado intitulada: A Identificação Das Altas Habilidades/Superdotação Nas Práticas Docentes Dos Professores De Duas Escolas Públicas De Salvador apresentada por Dartilene Pires de Andrade, na Universidade do Estado da Bahia-UNEB, em 2014-Primeira Dissertação com Pesquisa em Altas Habilidades ou Superdotação realizada no estado da Bahia.

Nesta publicação, buscamos, como referência teórica, o trabalho da psicóloga e educadora Maria Bernadette Pataro de Queiroz que, em 2008, elaborou um documento/ projeto apresentado à UNESCO/MEC/SEESP intitulado: Documento Orientador para Implementação da Unidade de Atendimento à Família do Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Estado da Bahia: Uma Proposta Inspirada no ideário de Joseph Renzulli. Esse documento foi apresentado por Queiroz (2008) às entidades mencionadas, como componente dos produtos solicitados, à sua contratação para prestar consultaria à unidade de atendimento à família do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação-NAAH/S-Bahia Núcleo que, no período de 2006 a 2010 esteve sob a coordenação da educadora e Especialista em Altas habilidades ou superdotação Dartilene Pires de Andrade. No referido documento a autora, faz um apanhado da trajetória do atendimento ao aluno com altas habilidades/superdotação na Bahia, desde as primeiras atividades em 1975, com a criação da Escola Especial para Superdotados em Pojuca, até a implantação do Núcleo de Atividades de altas Habilidades/Superdotação da Bahia em 2006 De acordo com a autora, as ações de apoio ao aluno com altas habilidades/superdotação, na Bahia, tornaram-se atendimentos eventuais e difusos, proporcionados por iniciativas privadas e públicas.

No âmbito das ações governamentais, os atendimentos ocorriam na instância da então Gerencia de Educação Especial – GEDES, atual Coordenação de Educação Especial – CEF – Departamento de Educação Básica da Secretaria da Educação do Estado da Bahia CEF/SUDESB4/SEC-BA. A SUDESB, mencionada neste documento, refere-se à atual Superintendência de Desenvolvimento da Educação Básica – SUDEB., nesse percurso, duas experiências relevantes, uma delas pela iniciativa privada e a outra vinda da instância pública, sofreram interrupção. Essa suspensão deve-se ao fato de, embora previsto por lei, o atendimento ao aluno com altas habilidades/superdotação, não dispor de uma política pública de apoio efetivo, tampouco profissionais com formação nesta área. As ações mencionadas referem-se à Escola de Pojuca, como foi denominada na década de 80, o Colégio Técnico, instituição mantida pela Fundação José Carvalho A outra experiência diz respeito ao Centro de Educação Especial da Bahia –CEEBA.

A Escola de Pojuca ou Escola para Superdotados, por meio de seu Presidente, José Corgozinho de Carvalho Filho, desenvolveu um projeto, pioneiro na Bahia, de atendimento à menores superdotados de baixa renda, que residiam na região de Pojuca, município do interior baiano. Esse projeto foi coordenado pela psicóloga e educadora Zenita Cunha Guenther, PhD, precursora do atendimento ao aluno superdotado na Bahia, que ocupava a função de Educadora-Residente. Além da coordenação, a referida educadora prestou atendimento de assessoria e consultoria nos diversos projetos educativos desenvolvidos por esta Escola. Queiroz (2008) relata que, em entrevista ao Jornal A TARDE em 2001, José Carvalho Filho, presidente da referida instituição, contou que o projeto teve início em 1975, quando foi criada uma escola para menores de baixa renda da região.

Nessa época, foi criado o Colégio Técnico que acolhia meninos pobres da zona rural e da cidade e oferecia, gratuitamente, cursos profissionalizante de Processamento de Dados, Mineração e de Tradutor e Intérprete. De acordo com a autora, a professora Zenita Cunha Guenther concedeu-lhe uma entrevista informando que trabalhou nesta instituição de 1982 a 1987. A professora afirmou ainda que o trabalho realizado pela Escola de Pojuca foi muito produtivo para a área de altas habilidades/superdotação na Bahia. Além disso, informou que entre as décadas de 80 e 90 ocorreram, na Bahia, ações de grande relevância para a trajetória desta área quais sejam: realização de encontros, reuniões e seminários, que contaram com a presença de grandes estudiosos da área de altas habilidades/superdotação como a psicóloga e educadora carioca Maria Helena Novaes, Eni Vinolo, Claudio Moura Castro, dentre outros. Também nessa época foi fundada a Associação Baiana para Educação do Bem Dotado da Bahia, presidida pelo Dr. Edmundo Leal Freitas, tendo como membro da diretoria a professora Zenita Cunha Guenther.

Outras atividades de reconhecida importância referem-se à Fundação José Carvalho foi fundada, em 1975, por José Corgozinho de Carvalho Filho. Engenheiro e Presidente da Companhia de Ferro Ligas da Bahia-FERBASA, realização do V seminário Nacional sobre Superdotados, realizado pela referida Associação, com o apoio da Fundação José Carvalho, em 1983, contando com a presença de profissionais de todo o Brasil e pessoas interessadas na área. Em 1989 realizou-se o Encontro Latino-Americano sobre Educação Especial, promovido pelo MEC/SEESP/OEA, e contou com a participação de Calvin Taylor da Universidade de UTAH/USA.

Além desses eventos, Queiroz (2008) relata que durante sua estadia na Bahia, a Profa. Zenita também integrou a Comissão Interinstitucional, Comissão que redigiu o anteprojeto da Resolução CEE-1716/87 que Estabelece Normas para a Educação Especial no Sistema de Ensino do Estado da Bahia, como do respectivo Parecer CEE-003/87, que a fundamenta, incluindo em ambos um amplo significativo conteúdo sobre a educação de superdotados, que não constatava na Resolução anterior, CEE224/75, a qual foi revogada em 23/01/1987, quando do ato da homologação da Resolução CEE-BA 1716/87. A Comissão mencionada era composta por profissionais representantes de diversa entidades educacionais de atendimento ao aluno especial e coordenada pela conselheira Dra Elisabeth Maria Chaves de Murta Veloso, da Câmara de Educação Continuada e Educação Especial do Conselho Estadual de Educação da Bahia – CEEBA.

Essa comissão foi a relatora do Parecer CEE-003/87, do qual participaram: a professora Zenita Cunha Guenther, representando a Fundação José Carvalho; Ilka Santos Carvalho, a APAE-Salvador e também a Federação Nacional das APAEs-FENAPAE; Gecilda Coutinho Fernandes Serafim, o Instituto Pestalozzi da Bahia/Sociedade Pestalozzi da Bahia; Maria José Lobo da Silva, o Instituto Guanabara e a Associação Baiana de Recuperação do Excepcional – ABRE; Therezinha Guimarães Miranda e Maria Bernadette Pataro de Queiroz, Gerente de Educação Especial e Psicóloga, respectivamente, representando a Secretaria da Educação do Estado da Bahia – SEC-BA.

Esse trabalho em AHSD realizado na Bahia, na década de 80, faz referência à experiencias profícuas e catalizadoras ao desenvolvimento de novas e imprescindíveis atividades para o fortalecimento de uma área de importância fulcral ao desenvolvimento, nos mais diversos níveis, do ser humano e do meio social ao qual está inserido.

Referências:

• QUEIROZ, M. B. P. Documento Orientador para implementação da Unidade de Atendimento à família do aluno com AH/SD do núcleo de atividades de altas habilidades e superdotação do estado da Bahia. Salvador: Secretaria da Educação do Estado da Bahia, 2008 (no prelo).

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